OS ESTADIOS DO CANCRO DA MAMA

As opções de tratamento do cancro da mama, dependem do estadio da doença, bem como de outros factores, como sejam:

  • Dimensão do tumor, relativamente à dimensão da sua mama
  • Resultado dos testes laboratoriais (ex.: receptores hormonais, receptores HER2)
  • Situação relativa à menopausa.
  • Estado geral de saúde da pessoa.

O estádio da doença é determinado, quando indicado, com ajuda de exames de estadiamento (raio-X de tórax, ecografia abdominal, tomografia computorizada e cintigrafia óssea) em que se investigam os principais locais de metastização do cancro da mama, de forma a perceber se o cancro da mama está localizado na mama e gânglios axilares – estadios I a III, ou se, por outro lado, já afetam outras estruturas à distância como os pulmões, fígado ou ossos – estadio IV.

Em seguida, será feita uma breve descrição dos tratamentos mais frequentes. A proposta terapêutica implica uma abordagem multidisciplinar e é tendencialmente individualizada, pelo que não é possível a sua generalização. Idealmente, cada caso deve ser discutido pelo menos uma vez numa reunião multidisciplinar onde participam especialistas das várias áreas de diagnóstico e tratamento. A participação em ensaios clínicos poderá ser uma opção viável, em todos os estadios do cancro da mama.

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O estadio 0 do cancro da mama, corresponde ao carcinoma lobular in-situ (CLIS) ou ao carcinoma ductal in-situ (CDIS).

  • CLIS: a maioria das mulheres com CLIS não faz qualquer tratamento, que não a cirurgia. Serão apenas recomendados exames regulares, para detectar quaisquer sinais adicionais do cancro da mama. No CLIS , se os receptores hormonais forem positivos, poderá receber hormonoterapia, para diminuir o risco de desenvolver cancro da mama invasivo. Ter um CLIS numa mama, aumenta o risco de desenvolver cancro da mama contra-lateral, ou seja, na outra mama.
  • CDIS: a maioria das mulheres com CDIS faz cirurgia conservadora, ou seja, mantendo o restante tecido mamário normal, seguida de radioterapia. Algumas pessoas optam por fazer uma mastectomia total. Neste caso, geralmente os gânglios linfáticos axilares não são removidos. Mulheres com CDIS com receptores hormonais positivos, podem fazer hormonoterapia, para diminuir o risco de desenvolver cancro da mama invasivo.

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No tratamento do cancro da mama, nos estadios I a III, é geralmente feita uma associação de vários tratamentos.

Algumas mulheres, especialmente as que estejam em estadios iniciais, podem escolher fazer uma cirurgia conservadora (que mantém a mama), seguida de radioterapia à mama. Outras, são propostas ou optam por fazer mastectomia.

Em situações em que no exame clínico e nos exames de imagem não existe atingimento dos gânglios da axila, é realizada biópsia do gânglio sentinela. Em função do resultado pode ser necessário ou não recorrer a esvaziamento axilar ou radioterapia da axila.

A ESCOLHA ENTRE FAZER UMA CIRURGIA CONSERVADORA, SEGUIDA DE RADIOTERAPIA, E A MASTECTOTOMIA, DEPENDE DE VÁRIOS FACTORES

  • Tamanho, localização e estadio do tumor.
  • Tamanho da mama.
  • Algumas características específicas do cancro (ex.: histologia, ou seja, tipo de células encontradas).
  • Opinião da pessoa, relativamente a conservar ou não a mama.
  • Opinião da pessoa quanto à necessidade de fazer radioterapia, depois da cirurgia (se for conservada a mama).
  • Facilidade da pessoa em poder deslocar-se para fazer a radioterapia.

Destaca-se, no entanto, que a realização de mastectomia pode não dispensar a realização de radioterapia adjuvante que será decidida em função do resultado da cirurgia.

Alguns casos, especialmente aqueles em existem tumores grandes ou envolvimento da axila podem fazer quimioterapia, antes da cirurgia, particularmente se se tratar de um cancro da mama triplo negativo (sem expressão de receptores) ou se houver sobre-expressão de receptor HER2. Neste último caso, à quimioterapia será adicionado tratamento com anticorpos monoclonais. A este tratamento chama-se terapêutica neoadjuvante que visa tornar mais pequeno um tumor de grandes dimensões, possibilitando fazer uma cirurgia conservadora da mama, ao mesmo tempo que elimina potenciais células que já se encontrem em circulação.

Após a cirurgia, muitas mulheres fazem terapêutica adjuvante, que pode ser quimioterapia,  anticorpos monoclonais, radioterapia ou terapêutica hormonal. A terapêutica adjuvante é utilizada para destruir quaisquer células cancerígenas que possam ter ficado no local do tumor ou em circulação, e prevenir que o cancro volte a aparecer, na mama ou noutra parte do organismo.

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Na maioria dos casos, no tratamento do cancro da mama em estadio IV, faz-se terapêutica hormonal, se houver receptores hormonais positivos, quimioterapia ou ambas. Pode, ainda, fazer-se imunoterapia. A radiação pode, também, ser usada para controlo de tumores que surjam em algumas zonas do organismo.

O médico pode, ainda, recomendar quimioterapia adicional, terapêutica hormonal ou ambas. A terapêutica sistémica, ou seja, que atinge todo o organismo (ex.: quimioterapia e hormonoterapia), pode ajudar a impedir que a doença volte a aparecer, na mama ou noutra parte do organismo.

É provável que estes tratamentos não curem a doença mas, pelo menos, irão ajudar a melhorar a sintomatologia do cancro, melhorando a qualidade de vida e permitindo aumentar o tempo de vida da pessoa com cancro da mama.

A maioria das pessoas com cancro da mama em estadio IV (ou seja, os casos em que o cancro da mama já afeta outros órgãos além da mama e dos gânglios locoregionais) são tratados com tratamentos sistémicos com terapêutica hormonal (se houver recetores hormonais positivos), quimioterapia ou terapêuticas dirigidas/alvo. A radiação pode, também, ser usada para controlo de tumores que surjam em algumas zonas do organismo, como por exemplo em metástases ósseas dolorosas.

Estes tratamentos não permitem curar a doença neste estádio, mas irão ajudar a melhorar a sintomatologia do cancro, melhorando a qualidade de vida e permitindo aumentar o tempo de vida da pessoa com cancro da mama metastizado.

Muitas pessoas recebem apenas cuidados paliativos, ou seja, tratamentos cujo objectivo já não é curar o cancro, mas sim tentar aliviar os sintomas e promover o conforto e a qualidade de vida do doente e da família. Estes tratamentos podem ser dados em simultâneo com outros tratamentos para o cancro em qualquer fase da doença, sempre que necessário.

Os cuidados paliativos podem ajudar a pessoa a sentir-se melhor, física e emocionalmente. O objectivo deste tipo de tratamento é, mais do que prolongar a vida, controlar a dor e outro tipo de sintomas associados ao cancro, bem como aliviar os efeitos secundários dos tratamentos (ex.: náuseas e vómitos).

  
  

RECIDIVA DO CANCRO DA MAMA

Considera-se que há recidiva, recorrência ou progressão do cancro da mama, quando o cancro reaparece, após tratamento. O tratamento para a recidiva depende, principalmente, da localização e extensão do cancro, bem como do tipo de tratamento que recebeu anteriormente.

Depois de uma cirurgia conservadora da mama, se houver recidiva do cancro, apenas na mama, e em mais nenhum sítio, pode fazer uma mastectomia. Há grande probabilidade da doença não voltar a surgir, noutro local do organismo.

Se houver recidiva do cancro da mama, noutras partes do organismo, o tratamento pode envolver terapêutica hormonal, quimioterapia, terapêutica dirigida, radioterapia e/ou cuidados paliativos, tal como nos casos de estadio IV ao diagnóstico.

ENSAIOS CLÍNICOS

Pode falar com o médico, relativamente à participação em ensaios clínicos que estejam a decorrer, ou seja, estudos de investigação de novas abordagens no tratamento do cancro e prevenção da sua recorrência.

Os ensaios clínicos são uma opção importante para muitas pessoas com cancro. Existem ensaios para todos os estadios do cancro da mama. Os doentes que participam em ensaios clínicos, têm a possibilidade de, em primeira-mão, utilizar novos tratamentos que se mostraram potencialmente promissores, antes de estes entrarem para a prática clínica de rotina.

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