O TRATAMENTO DO CANCRO COLORRETAL

Muitas pessoas com cancro colorretal, querem saber toda a informação possível sobre a sua doença e métodos de tratamento. Querem participar nas decisões relativas ao seu estado de saúde e cuidados médicos de que necessitam. Saber mais acerca da doença, ajuda a colaborar e reagir positivamente.

  
  

Falar com o médico

O médico pode aconselhar a consulta com um médico especialista em cancro colorretal. O cancro pode ser tratado por diferentes especialistas, como sejam: gastrenterologista (trata doenças do aparelho digestivo), cirurgião, oncologista e radioncologista. Pode ter um médico especialista diferente para cada tipo de tratamento que vá fazer.

No entanto, o choque e o stress que se seguem a um diagnóstico de cancro, podem tornar difícil pensar em todas as perguntas e dúvidas que quer esclarecer com o médico. Mais à frente vai encontrar uma lista das perguntas a colocar ao médico que, muitas vezes, é útil elaborar antes da consulta.

O tratamento começa, geralmente, poucas semanas após o diagnóstico de cancro. Regra geral, tem tempo para falar com o médico sobre as opções de tratamento e, se considerar necessário, ouvir uma segunda opinião para saber mais acerca do seu cancro antes de tomar qualquer decisão sobre o tratamento.

  
  

Ouvir uma segunda opinião

Antes de iniciar o tratamento, pode querer ouvir uma segunda opinião, acerca do diagnóstico e das opções de tratamento. Poderá precisar de algum tempo e esforço adicional, para juntar todos os registos médicos (exames imagiológicos, lâminas da biópsia, relatório anatomo-patológico e plano de tratamentos proposto) e marcar uma consulta com outro médico.

Em geral, mesmo que demore algumas semanas até ouvir uma segunda opinião, o tratamento não se torna menos eficaz. No entanto, há situações em que é necessário fazer tratamento imediato; é importante referir este possível atraso ao médico.

Preparação para o tratamento

Para cada caso de cancro colorretal, o médico irá desenvolver um plano de tratamentos, que vá de encontro às necessidades específicas de cada pessoa. O tratamento do cancro colorretal depende, principalmente, da localização do tumor, no cólon ou no reto, e do estadio da doença. O médico poderá falar consigo sobre as possíveis escolhas de tratamento, e resultados esperados.

Antes de iniciar o tratamento, poderá querer colocar algumas questões ao seu médico:
  • Qual é o estadio da minha doença?
  • Quais são as minhas escolhas de tratamento? Qual me recomenda? Farei mais de um tipo de tratamento?
  • Quais são os benefícios esperados de cada tipo de tratamento?
  • Quais são os riscos e os possíveis efeitos secundários de cada tratamento? Como poderei controlar os efeitos secundários?
  • Como irá o tratamento afectar as minhas atividades normais? Será provável que eu venha a ter problemas urinários? E problemas de intestinos, como diarreia ou perdas de sangue retal? Será que o tratamento vai afetar a minha vida sexual?
  • Será adequado ao meu caso, a participação num ensaio clínico (estudo de investigação)?

Não precisa de fazer todas as perguntas de uma vez; terá outras oportunidades para pedir ao médico que explique a informação que não ficou clara e pedir esclarecimentos adicionais.

Tratar o cancro colorretal

O tratamento do cancro colorretal pode envolver cirurgia, radioterapia e/ou quimioterapia. Algumas pessoas fazem uma combinação de tratamentos.

O cancro do cólon é, por vezes, tratado de modo diferente do cancro do reto. Os tratamentos para o cancro do cólon e do reto serão descritos em separado.

Em qualquer estadio do cancro coloretal, podem ser administrados medicamentos para controlar a dor e outros sintomas do cancro, bem como para aliviar os possíveis efeitos secundários do tratamento. Estes tratamentos são designados como tratamentos de suporte, para controlo dos sintomas ou cuidados paliativos.

Poderá perguntar ao médico sobre a possibilidade de participar num ensaio clínico, ou seja, num estudo de investigação de novos métodos de tratamento.

No menu PONTO CARDEAL, na área de Investigação, poderá encontrar mais informação sobre os ensaios clínicos atualmente a decorrer.

Cirurgia

A cirurgia é o método mais comum para o tratamento do cancro colorretal. É um tipo de tratamento local: trata o cancro, no cólon e no reto e na região perto do tumor. Como por exemplo a remoção de gânglios.

Alguns pequenos tumores ou pólipos podem ser removidos do cólon ou do reto, com um colonoscópio. Alguns pequenos tumores, na porção inferior do reto, podem ser removidos, através do ânus, com uma mucosectomia (remoção da mucosa).

Para um cancro maior, o cirurgião faz uma incisão no abdómen, para remover o tumor e uma parte saudável do cólon ou reto, para ter margens de segurança. Também podem ser removidos alguns gânglios linfáticos vizinhos. O cirurgião verifica o resto do intestino e o fígado, para ver se o cancro está metastizado.

Quando uma porção do cólon ou do reto é removida, o cirurgião pode, geralmente, ligar as partes saudáveis. No entanto, por vezes esta ligação não é possível; neste caso, o cirurgião cria uma nova “via”, por onde as fezes serão eliminadas do organismo. O cirurgião cria uma abertura, ou estoma, na parede do abdómen; liga a extremidade superior do intestino ao estoma e fecha a outra extremidade. A operação, para criação de um estoma, chama-se colostomia. Prende-se, com um adesivo especial, e coloca-se um saco junto ao estoma, para recolher as fezes.

Para a maioria das pessoas, a colostomia é temporária. É apenas necessária até que o cólon ou o reto cicatrizem da cirurgia.

Após a recuperação, o cirurgião volta a ligar as partes do intestino e fecha o estoma. Algumas pessoas, especialmente aquelas que apresentavam um tumor na parte inferior do reto, necessitam de uma colostomia permanente. Nos menus Efeitos Secundários e Reabilitação encontrará mais informação sobre a colostomia.

Antes da cirurgia, poderá querer colocar algumas questões ao médico:
  • Que tipo de operação me recomenda?
  • Vou precisar de fazer remoção de alguns gânglios linfáticos? Serão removidos outros tecidos? Porquê?
  • Quais são os riscos da operação? Vou ter efeitos secundários de longa duração?
  • Vou ter que fazer uma colostomia? Se assim for, esta vai ser permanente?
  • Como vou sentir-me depois?
  • Se tiver dor, como é que vai ser controlada?
  • Quanto tempo vou ter que permanecer no hospital?
  •  Quando poderei voltar às minhas atividades normais?
Quimioterapia

A quimioterapia consiste na utilização de fármacos, para matar as células cancerígenas.

A quimioterapia pode ser constituída apenas por um fármaco ou por uma associação de fármacos. Os fármacos podem ser administrados oralmente, sob a forma de comprimidos, ou através de uma injeção endovenosa (e.v.), na veia. Para além da quimioterapia podem ser utilizados outros tratamentos anti-neoplásicos, como os anticorpos monoclonais. Em qualquer das situações, os fármacos entram na corrente sanguínea e circulam por todo o organismo: é a chamada terapêutica sistémica.

A quimioterapia é, geralmente, administrada por ciclos de tratamento, repetidos de acordo com uma regularidade específica, de situação para situação. O tratamento pode ser feito durante um ou mais dias; existe, depois, um período de descanso, para recuperação, que pode ser de vários dias ou mesmo semanas, antes de fazer a próxima sessão de tratamento.

A maioria das pessoas com cancro, faz a quimioterapia em regime de ambulatório (no hospital, no consultório do médico ou em casa), ou seja, não ficam internadas no hospital. No entanto, algumas pessoas podem precisar de ficar no hospital, internadas, enquanto fazem a quimioterapia.

Um doente com cancro coloretal pode ter de fazer a quimioterapia antes ou depois da cirurgia, e em combinação com radioterapia. Nos casos de doença metastizada, alguns doentes poderão fazer apenas tratamento sistémico.

Quando a quimioterapia é administrada antes da cirurgia, é chamada de terapêutica neoadjuvante; o objetivo é diminuir o tamanho do tumor e/ou tornar a cirurgia possível antes de ser realizada com remoção total do tumor.

A quimioterapia administrada logo após a cirurgia é chamada de terapêutica adjuvante; o objetivo é destruir quaisquer células cancerígenas remanescentes e diminuir a probabilidade de uma recidiva do tumor, no cólon, no reto ou noutro local.

A quimioterapia também é usada para tratar pessoas com doença avançada e, neste caso, o intuito é apenas paliativo, ou seja, para controlar a doença e/ou sua sintomatologia.

Antes de iniciar a quimioterapia, poderá colocar algumas questões ao seu médico:
  • Porque é que preciso deste tratamento?
  • Que fármaco, ou fármacos, me vão ser administrados?
  • Como funcionam os fármacos?
  • Quais são os benefícios esperados do tratamento?
  • Quais são os riscos e possíveis efeitos secundários do tratamento? O que poderá ser feito para minimizá-los?
  • Quando terá início o tratamento? Quando termina?
  • Como irá o tratamento afectar as minhas atividades normais?
Radioterapia

A radioterapia é um tratamento local e, como tal, afeta apenas as células cancerígenas na zona tratada; usa raios de elevada energia, para matar as células cancerígenas. O médico pode usar vários tipos de radioterapia. A radioterapia é frequentemente utilizada nos tumores do reto como forma de controlar a doença a um nível local.

Em determinadas situações, pode ser administrada uma combinação de diferentes tratamentos com radioterapia:

RADIAÇÃO EXTERNA:

a radiação provém de uma máquina. Para este tratamento, a maioria das pessoas vai ao hospital ou clínica. Geralmente, os tratamentos são realizados durante 5 dias por semana, durante várias semanas. Em alguns casos, é administrada radioterapia externa, durante a cirurgia.

RADIAÇÃO INTERNA (radiação por implante ou braquiterapia):

a radiação provém de material radioativo contido em sementes, agulhas ou finos tubos de plástico, que são colocados diretamente no local do tumor ou perto. Para fazer radiação por implante o doente fica, regra geral, internado no hospital. Os implantes permanecem no local durante vários dias; são retirados antes de ir para casa.

Antes de iniciar a radioterapia, poderá querer colocar algumas questões ao médico:
  • Porque é que preciso deste tratamento?
  • Quais são os riscos e os efeitos secundários deste tratamento?
  • Existem efeitos a longo prazo?
  • Quando têm início os tratamentos? Quando terminam?
  • Como me vou sentir durante o tratamento?
  • O que poderei fazer para cuidar de mim, durante o tratamento?
  • Poderei continuar com as minhas atividades normais?
Terapêuticas dirigidas

Alguns dos avanços mais promissores e excitantes no tratamento do cancro na última década são as terapêuticas dirigidas.

Estas terapêuticas são desenvolvidas com o objetivo de bloquear o crescimento e a disseminação do cancro através do bloqueio de alvos moleculares específicos responsáveis pela proliferação e progressão tumoral. São tratamentos focados nas alterações moleculares e celulares específicas dos diversos tipos de cancro, e por isso poderão potenciar o efeito da quimioterapia e prejudicar menos as células normais.

As terapêuticas dirigidas interferem com a divisão das células tumorais e sua disseminação de várias formas:

Interagindo com moléculas que estão envolvidas no complexo sistema de comunicação que comanda as funções e atividades celulares, como a divisão, movimentação das células, respostas a estímulos específicos externos e morte celular. Ao bloquear os sinais que dizem às células tumorais para crescerem e para se multiplicarem de forma não controlada, as terapêuticas dirigidas podem travar a progressão do cancro e até induzir a morte celular (apoptose).

Outras causam a morte celular direta induzindo a apoptose ou indiretamente estimulando o sistema imunitário (de defesa) a reconhecer e destruir as células tumorais ou produzindo substâncias tóxicas diretamente contra as células cancerígenas.

A maioria das terapêuticas dirigidas são ou pequenas moléculas ou anticorpos monoclonais. As pequenas moléculas são capazes de entrar dentro das células e atuar em alvos localizados no seu interior. Os anticorpos monoclonais não penetram através da membrana das células e têm como alvo moléculas na superfície das células (recetores) ou no exterior da célula.

Existem assim várias terapêuticas dirigidas que interferem com diversos processos celulares. Umas podem bloquear certas enzimas e fatores de crescimento envolvidos na proliferação das células cancerígenas. Outras bloqueiam o crescimento dos vasos sanguíneos (angiogénese). As células cancerígenas necessitam de um fornecimento constante de sangue, através dos vasos sanguíneos para receberem oxigénio e nutrientes que garantam a sua sobrevivência. Os tratamentos que interferem com a angiogénese podem impedir o crescimento do tumor através do bloqueio do crescimento dos vasos sanguíneos que fornecem nutrientes e oxigénio às células cancerígenas.

Atualmente, as terapêuticas dirigidas no cancro colorretal são anticorpos monoclonais, que são mais utilizados em combinação com a quimioterapia, embora, nalguns casos possam ser usados isoladamente.

Diferenças no tratamento

TRATAMENTO PARA O  CANCRO DO CÓLON

  • Grande maioria dos doentes com cancro do cólon, é tratada com cirurgia.
  • Algumas pessoas fazem ambos os tratamentos: cirurgia e quimioterapia.
  • Em pessoas com cancro do cólon, raramente é necessária a colostomia.
  • Apesar de a radioterapia não ser muito usada no tratamento do cancro do cólon é, por vezes, usada com intuito paliativo, ou seja, para aliviar as dores e outros sintomas.

TRATAMENTO PARA O  CANCRO DO RETO

  • Em todas as fases do cancro-retal, a cirurgia é o tratamento mais comum.
  • Alguns doentes fazem cirurgia, radioterapia e quimioterapia.
  • Cerca de 1, em cada 8 pessoas, precisa de uma colostomia permanente.
  • A radioterapia pode ser usada antes e depois da cirurgia. Algumas pessoas fazem-na antes da cirurgia, para diminuir o tumor e outras fazem-na depois da cirurgia para matar possíveis células cancerígenas que tenham permanecido na região.
  • Em alguns hospitais, a pessoa pode fazer radioterapia, durante a cirurgia: radioterapia intra-operatória. Também poderá ser feita radioterapia paliativa, para alívio das dores e de outros problemas, causados pelo cancro.

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